De volta para casa: vivendo a crise no ar

23 07 2007

Passando por Congonhas em clima de acidente aéreo…

Camila Chiodi, especial pro “blog da redação”

20 de julho de 2007. Três dias após o acidente com o avião da TAM no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Para a minha sorte, a passagem (da TAM) que eu já tinha comprado há mais de duas semanas, indica que o trajeto da viagem é o seguinte: Florianópolis > São Paulo (Congonhas) > Belo Horizonte / terra natal.
De acordo com um atendente da TAM, o avião que deveria sair do Aeroporto Internacional Hercílio Luz às 10h30, só deve chegar por volta de 12h15. O aeroporto está cheio, a ver pelas cadeiras ocupadas e lanchonetes também quase sem lugares para sentar – apesar de as filas de check in estarem tranqüilas.
Ficar tanto tempo assim no aeroporto de Florianópolis me faz perceber o quanto ele é mal preparado. Ainda bem que estou munida de livros e revistas. Vejo pessoas ouvindo música, lendo jornais ou apelando para o jogo de lógica Sudoku, enquanto esperam pelos seus vôos. A minha busca por pilhas para o discman (sim, eu sou paleolítica) é em vão. Assim como a procura por uma televisão que me mostre alguma coisa do PAN.
Neste momento vejo uma equipe de três pessoas da RBS se preparando para entrar ao vivo no Jornal do Meio Dia. A repórter ensaia: “um dia antes do acidente em Congonhas, uma ocorrência semelhante foi registrada no aeroporto de Florianópolis, e ontem o comandante de uma aeronave passou mal e teve que ser substituído”. Não ouço chamadas de embarque. Da janela de onde normalmente podem ser vistos aviões aterrissando, hoje o que se tem é apenas uma pista vazia com bandeiras. Bandeiras do Brasil, de Santa Catarina e da Infraero a meio mastro, em sinal de luto pelas vítimas da tragédia de terça-feira.
Quase uma hora depois, uma surpresa: o vôo 3102 está confirmado – para as 13h15. Entro na sala de embarque por volta das 13h20 e encontro uma televisão! O Jornal Hoje mostra as medalhas que o Brasil conquistou durante a manhã nos Jogos Panamericanos, e dá a notícia de que Antônio Carlos Magalhães morreu às 11h40 da manhã. Parece que o Brasil está mesmo de cabeça pra baixo. Finalmente, às 13h45, entro no avião. Poltrona 13A, na janela, ao lado de uma saída de emergência. A única real vantagem desse lugar é ter mais espaço para esticar as pernas. Um comissário de bordo ainda “confisca” minha bolsa (incluindo meu bloquinho), porque não podemos ficar com bagagens de mão próximo à tal saída de emergência…

O comandante de vôo começa a falar. Diz que todos estão de luto e não têm nem palavras para expressar aquilo por que a TAM tem passado nos últimos dias. Garante que o avião não levantaria vôo se não houvesse a certeza de que tudo correria bem. Ele ainda aproveita para nos alertar a respeito da cobertura que a mídia vem fazendo do acidente, e que não podemos pensar que tudo o que é publicado corresponde à verdade.
O vôo realmente é tranqüilo, e durante toda a viagem ouço Beatles no canal 3 do avião. Mas como sempre, o mundo não tem consideração pelos vegetarianos, e eu não posso comer o lanche servido a bordo; me contento com um saquinho de amendoim salgado. Admito que fico tensa na hora de pousar em Congonhas, o que, vá lá!, não é nem um pouco de se estranhar. O local do acidente só vejo bem de longe, e consigo identificar apenas a fumaça que ainda sai do prédio atingido.

Depois de passar pela fila do raio x, descubro que meu vôo para BH também está atrasado, é claro. Deveria sair às 15h35, e ainda não há previsão de quando o avião vai chegar no aeroporto! Ao anunciar os atrasos, fazem questão de falar que é “por razões meteorológicas”, por causa do fechamento do aeroporto pela manhã. E com mais esse atraso, me vejo na terrível e nunca antes imaginada situação de ter que pagar R$ 2,80 por um pão de queijo minúsculo e nem tão bom assim. Sinto saudades de casa…
Já acostumada com a idéia de esperar, ouço de repente uma chamada de “embarque imediato do vôo 3222 para Belo Horizonte”, e minha pobre mente ingênua chega a acreditar que tudo estava resolvido. Um ônibus leva os passageiros até o avião. Depois de devidamente instalados e esperando já há mais de 20 minutos, o aviso de que ainda teremos que esperar meia hora para levantar vôo – porque a Polícia Federal está apurando as causas do acidente no aeroporto – acaba com as minhas últimas esperanças. Na entrada do avião, uma comissária de bordo entrega um papel em que estão escritas as considerações da TAM sobre o acidente e o momento vivido pelo Brasil inteiro naquela semana.

Paciência esgotada, decolagem autorizada. E de novo uma viagem tranqüila, sem surpresas desagradáveis de qualquer tipo. Chego em Belo Horizonte por volta das 18h40. Encontro meus pais, irmã e uma tia que me esperam, aliviados ao ver que eu cheguei bem. Tudo parece não ter passado de mais um dia que – apesar de o choque do acidente ainda ser tão recente – já é comum nos aeroportos brasileiros. Fui só mais uma entre milhares de pessoas que se viram indignadas, mas impotentes, perdidas e com medo de – mais do que não chegar em casa no horário previsto – não chegar em casa de jeito nenhum. A volta promete…





ponto-e-vírgula na TV COM

5 07 2007

(up!)

Para todos os nossos fãs e amantes dos mais obscuros cantos onde chega a gloriosa internet:

Estaremos, na próxima segunda-feria, dia 9, às 18h, no programa Na Pilha, da TV COM – Santa Catarina -, falando sobre a nossa cabeçudinha!

Veja a gente, grave e coloque depois no YouTube!

(estamos crescendinho! :P )

> A TV COM é o canal 36 da Net Floripa <





Para saber mais sobre higiene

4 07 2007

A capa da edição de maio foi a reportagem “os segredos do Perfume”. Para quem quiser saber mais sobre cheiro e higiene, fica a dica do livro Passado a Limpo – História da Higiene Pessoal no Brasil, de Eduardo Bueno.”Passado a Limpo é um livro ao mesmo tempo perfumado e malcheiroso; repleto de sujeira, mas em busca de limpeza”, define o autor. A obra conta com apresentação da antropóloga Mary Del Priore. “Jornalista brilhante que é, Eduardo Bueno consegue transformar a matéria histórica num agradável passeio (…) percorre, num texto fluente e elegante, diversos temas: da maquiagem dos faraós ao esplendor do asseio árabe, do mau cheiro no Brasil colonial à falta de higiene na corte imperial, da falta d’água aos primórdios da higienização, dos produtos de asseio aos estéticos. Um passeio que ensina e diverte ao mesmo tempo”, descreve Priore.  O livro começa com o encontro entre indígenas e portugueses nas areias de Porto Seguro (“os pelados e os peludos”), revelado em detalhes na carta de Pero Vaz de Caminha, e se prolonga até o momento em que Luís Inácio Lula da Silva assume a presidência do país, não sem antes aparar a barba dos tempos de líder sindical. Ao estabelecer um vínculo estreito entre o asseio corporal e os rumos sócio-políticos e econômicos, a obra apresenta uma nova visão sobre os costumes e o cotidiano dos brasileiros.

untitled1.jpg

Passado a Limpo – História da Higiene Pessoal no Brasil, de Eduardo Bueno
Editora Gabarito
80 páginas
R$ 44,00





OSSCA estimula doação de agasalhos com concerto

4 07 2007

Ontem, a OSSCA (Osquestra Sinfônica de Santa Catarina) apresentou-se no CIC em um espetáculo beneficente. O concerto foi gratuito, com preço simbólico de um agasalho novo ou usado, que será doado para  Campanha do Agasalho. No programa, Concertino para clarineta de orquestra, Opus 26, de Weber. Também o Concerto para violino e orquestra, Opus 64, de Mendelssohn e a Sinfonia IV em Lá Maior, do mesmo compositor. No violino solo, Pedro Miszewski da Roza, jovem músico que cursa bacharelado em violino pela UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina). Na clarineta, Carlos Gustavo Horn. O evento, que lotou a sala, começou às 9h, e se repete nesta quarta-feira no mesmo horário, sob a irreverente regência do Maestro José Nilo Valle, no Teatro Ademir Rosa, no CIC.





(quase) Vídeo Institucional

2 07 2007

Ganhamos um!

A estudante de jornalismo da UFSC, Sofia Franco, nos surpreendeu quando disse que a revista ponto-e-vírgula seria o tema deste vídeo, trabalho final para uma disciplina da universidade.
Com entrevistas de alguns membros da equipe;, ele conta um pouco da nossa trajetória até aqui, explica como é a estrutura da redação e quais foram os objetivos ao criar a revista.

Assista:

Valeu, Sofia!

P.s.: Quanto à escolha do nome da revista, há controvérsias! Aparentemente eu juntei fatos desconexos e inventei uma etimologia ponto-e-virguliana equivocada. Redimo-me antes que o criador do conceito venha cobrar explicações.

postado por Carolina Moura





Correção

1 07 2007

[espaço de cinema - edição de julho, pág 6]

João Moreira Salles voltou a trabalhar no “material bruto” do filme Santiago em 2005, e não em 2006, como está escrito na matéria da revista.





A solução para o stress infantil

1 07 2007

imagem retirada do site www.guiadasemana.com.br

[causos&coisas - edição de julho, pág 34]

Pra quem ficou curioso sobre o Ofurô para crianças:
Nota no site do Guia da Semana (São Paulo)
Site do fabricante: Kan Tui Design





Erros & acertos

21 06 2007

1. “Este Portal será desativado.”

Aí está o lead, que aprendemos ser essencial em matérias factuais, hard news. Esta era a idéia principal deste espaço: treinar o jornalismo diário, praticando técnicas clássicas, e testar técnicas desenvolvidas para o Jornalismo Online, sobre o qual temos poucos conhecimentos ainda, mas nos interessamos muito. Além disso, trocar conhecimentos com nossos colegas do curso.

Treinar, aprender, testar. Verbos que denunciam nosso amadorismo, afinal, somos estudantes. Cálculos errados nos levaram a crer que teríamos uma equipe maior disposta a participar. Uma certa ilusão de que quem chegou depois poderia estar interessado no que aprendemos, pois valorizamos muito as experiências adquiridas com a Revista Ponto-e-Vírgula, fez com que ingressássemos neste projeto. A idéia de que nos desdobraríamos em 20, encontraríamos tempo e pautas, e atualizaríamos constantemente este site nos empolgou. Mas nossos pensamentos não se mostraram afinados com a prática.

Este Portal não deixou de cumprir com as expectativas no sentido de testes e aprendizados, uma vez que vimos que este formato não se presta às nossas vontades. Além disso, lidar com erros é essencial e deve nos fortalecer como equipe.

O Portal acaba, mas não vamos deixar de pensar em novos formatos, outras maneiras de levar adiante o que aprendemos e o que gostaríamos de aprender em sala. Afinal, temos de aproveitar o momento em que nos é permitido errar.

Fernanda Dutra

2. De volta para o futuro: no ar, o blog da redação!

Tá, seca as lágrimas, entende que a vida continua, que é assim mesmo, etc! Deixa o tom mórbido da Fê (brincadeirinha… rs) pra um momento corta-pulsos.

Pois bem, vamos ao que interessa: a idéia do Portal surgiu quando queríamos um blog da redação. Discussão vai, discussão vem, nasce o projeto. Do Portal. O blog ficou como uma sessão, apenas.

Agora, acabou quase tudo. Voltamos (ou avançamos?) para nosso ponto-de-partida: o bülóg! rs

Aqui, continuaremos contando nossas encanações, nossos desesperos, nossas experiências; aqui será apenas o nosso divã, barato (blog é gratuito, faça um também!) e modesto.

Leia o texto do Pedro sobre a não-entrevista com Caco Barcellos.

Leia o texto da Fê (a que escreveu o texto acima) sobre os elogios da Márcia Tiburi.

Espero que curtam. Talvez, Fê, esse blog seja mesmo o nosso maior acerto…

Maurício Tussi





11º FAM chega ao fim e premia 32

9 06 2007

Juliana Sakae, Florianópolis

O 11º Festival Audiovisual Mercosul, FAM, premiou os melhores curtas-metragem exibidos durante a semana, divididas em 32 categorias entre Júri Oficial e Júri Popular.

O filme “O Lobinho Nunca Mente” (9′30″, 2007, ficção), dirigido por Ian SBF, ganhou 4 prêmios entre melhor roteiro, direção, filme em júri popular e oficial. O curta, aclamado pelo público, conta a história de um rapaz solitário que fratura a cabeça e não consegue movimentar o corpo, mas permanece consciente. O espectador acompanha o rapaz caído no chão, parado, narrando seus últimos momentos. Com apenas um cenário e dois personagens, o diretor tornou a cena que poderia tornar-se melodramática em um filme bem-humorado. Os quase 1.000 espectadores levantaram-se para aplaudir o diretor, nervoso com “o prêmio inesperado”.

O público também aplaudiu calorosamente a animação infanto-juvenil gaúcha “Leonel Pé-de-vento” (Jair Giacomini, RS, 15′, 2006) e o vídeo catarinense “Lurdinha, a Vendedora de Ilusões” (Cesar Cavalcanti, SC, 24′10″, 2007). O prêmio de menção honrosa foi entregue a Paulo Maisatto, recém-formado em cinema pela Unisul, por seu curta 35 mm “Sinestesia”.

Confira a lista completa dos vencedores no link abaixo

Leia o resto deste post »





Cineclubistas reúnem-se no último dia do FAM

9 06 2007

Juliana Sakae, Florianópolis

No último dia do 11º Festival Audiovisual Mercosul, FAM, representantes de cinco cineclubes de Florianópolis se reuniram para trocar experiências: Sopão de Filmes, Rogério Sganzerla, Sol da Terra, Aliança Francesa e Cinearte.

Após uma mostra de curtas [veja Leia Mais], o representante do Sopão de Filmes, Alan Langdon, questiona sobre qual é o objetivo de um cineclube; o estudante de Cinema da UFSC, Lucian Chaossard, afirma que “o cinema tornou-se uma experiência individual, e o cineclube busca sociabilizar a experiência do cinema”.

Lucian, representante do Rogério Sganzerla, explica que o cineclube do qual faz parte exibe filmes clássicos e se preocupa com a discussão do filme. Já Marta César, que organiza exibições semanais no Badesc, pela Aliança Francesa, diz ter uma preocupação maior com o tema do filme. Cita a projeção de “O Pesadelo de Darwin“, exibido na última segunda, 4, que levou os presentes a discutir globalização.

Leia o resto deste post »